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Mariana em Utrecht
Breve passagem pelo pais das Flores

05/09/2007 GMT 2

Flight to U.S.A

marianalmeida @ 14:36

Dia 4
4/9/07

Tinha programado para o dia de hoje assistir a uma especie de coloquio feito propositadamente para os alunos internacionais. Uau, sou internacional!
Comecava ao 12h no Educatorium que ficava no edificio Heidelberlaan 2, palavra que nao sei pronunciar, e eu simplesmente nao sabia onde aquilo se situava. Entrei no primeiro edificio que encontrei e perguntei pelo "Educatorium". "Not here" respondeu o porteiro. Esperei que me dissesse onde era, mas enganei-me, voltei e perguntei onde era. Falou em Holandes e gesticulou. Obviamente so la fui pelos gestos.
Cheguei ao Educatorium e percebi que estava no sitio certo devido aos enormes cartazes que diziam Welcome. Ainda nao era 12h por isso nao estava tao cheio quanto eu imaginara. Havia varios balcoes de informacao e eu escolhi um ao calhas para perguntar se precisava fazer alguma coisa. Muito simpatica, uma senhora disse-me que era bastava ficar sentada a espera que fosse 12h. E ali fiquei eu.
Comecou a chegar cada vez mais gente e a sentarem-se nos cadeiroes encarnados. Cada qual trazia uma pasta vermelha na mao e eu desconfiei que eu tambem deveria tranportar uma pasta igual. Sai do edificio e voltei a entrar como se fosse a primeira vez que la entrada. "Nice building", murmurei para talvez interiorizar que era a primeira vez que o vira.
Subi uma rampa que dava acesso ao local onde estivera ha minutos, e deparei-me com muito mais gente do que da primeira vez. Havia agora uma dezena de filas em frente a cada um dos balcoes de informacao. Fiquei na primeira fila. Quando chegou a minha vez a senhora olhou para mim como que a espera que eu dissesse alguma coisa e eu correspondi ao seu desejo com um "I don't know what I'm doing here". Ela sorriu e disse "Welcome to Utrecht, are you a E.U. Student?". Partindo do principio que a sigla significava Uniao Europeia eu assenti com a cabeca. Entregou-me a dita pasta vermelha e eu fiquei contente ao perceber que nao estava assim tao mal encaminhada. Ja que aquela fila tinha sido rapida e pelos vistos necessaria arrisquei em por-me noutra. Fiquei caladinha na fila ate que ouvi alguem perguntar a um rapaz que estava na fila para que e que a fila servia. Pus me a escuta e percebi que era para tirar fotocopias. Fotocopias?! Bora la, e sempre preciso fotocopias. E continuei na fila.
Uma rapariga loira, muito loira veio ter comigo a perguntar para que aquela fila servia e eu agora ja sabia responder. Ela tambem achou que tirar fotocopias era muito bom e juntou-se a mim, passando a frente do resto da fila, como se ja fossemos amigas de longa data. A conversa nao tardou em comecar e soube que era finlandesa e o seu nome era Karoliina. Eu, que estava na fila com o Emanuel (e nao Manuel como disse no post anterior), tive de lhe fazer a traducao do que a Karol dizia porque ele aidna nao esta muio a vontade com a lingua inglesa. A frente do Emanuel estava um rapazito meio loiro que nao parava de olhar e ouvir a nossa conversa. Ao perceber que os o tnhamos topado perguntou para que e que aquela fila servia. Parecia ser essa a pergunta que estava na ordem do dia. Eu mais uma vez respondi e ele acabou por ser introduzido na conversa. Era americano e ficou muito espantado pela minha paixao e desejo de conhecer os Estados Unidos. Tem perfeita nocao de que os Estados Unidos nao tem sido muito bem vistos na Europa desde ha uns anitos para ca. Catch e o seu nome e vem de Denver. Veio para a Holanda durante o Gap Year e resolveu-se pelos paises baixos porque era de borla.
A conversa proseguia enquanto a fila nao saia do mesmo sitio. Falamos de imensa coisa e trocamos emails durante aquela espera interminavel. Enquanto estavamos na fila percebemos que tinhamos perdido a reuniao do 12h. Sai da fila momentaneamente para perguntar se iria haver outra. Sim, havia uma as 14.30h e combinamos ir, so assim iriamos ter acesso as coordenadas basicas para sobreviver em Utrecht.
A Karollina perguntou-me se nao queria ir com ela ao comeco da fila a perguntar se as fotocopias eram para fazer o registo da cidade e eu fui com ela. Qual nao foi a nossa surpresa quando descobrimos que aquela fila nao servia para nada entre os alunos da Uniao Europeia, ou seja, so o Catch estava la bem. Esperamos pelas 14.30h nos cadeiroes vermelhos enquanto o Catch estava na fila.
Chegara a hora da reuniao e encaminhamo-nos para o auditorio. Estava cheio, secalhar alguns daqueles teriam faltado ao primeiro tambem. Fiquei sentada entre o Emanuel e o Catch e enquanto o primeiro ia falando com a Karol em Frances (ele viveu em franca durante 4 anos) eu falava com o segundo sobre os Estados Unidos. Perguntou-me que cidades americanas eu gostaria de visitar e eu, baseada nos filmes, respondi: Nova Iorque, Miami, Manhatan e talvez o Texas. "What about Las Vegas? Do you know?". Obviamente que me esquecera de mencionar a capital do jogo, da noite e da loucura. Disse-me que me tinha esquecido de dizer essa, bem como Sao Francisco e Los Angeles (Hollywood). Aplaudiu a minha escolha e disse que o irmao dele ia casar em Las Vegas. Obviamente que comparei logo aos famosos casamentos em Vegas, os tais como o da Britney, que e quase um Drive In do tipo "Queria um big mac, uma cola e um casamento". Ele riu e disse que eu tinha, nao "uma maneira esquesita de falar" mas uma maneira tipicamente americana de falar. Obviamente que prefiro ser comparada aos gigantes americanos que aos educados ingleses, mas mesmo assim perguntei-me se aquilo seria bom ou mau.
A conversa fluiu para esse lado e ele disse que nos Estados Unidos costumam ser os pais da noiva a pagar o casorio, e como os pais da noiva (sao portugueses e o apelido e Escobar) sao ricos alugaram a casa da Celine Dion para o enlace. Disse ainda que os pais dela queriam que ele trouxesse amigos europeus que gostassem ou quisessem conhecer a Celine Dion e perguntou-me se eu gostava. Obviamente que, mesmo que nao gostasse ( o que nao e o caso) eu disse que sim! Um enorme sim alias, e ficou selado o acordo. Hum..parece que tenho uma viagem aos Estados Unidos de borla...
A reuniao comecou e ele so se ria do ingles dos holandeses e admito que, se estava fascinada com aquela figura simpatica dele, aquela atitude nao foi muito a seu favor. Eu ate era capaz de tolerar os sapatos com pele de crocodilo, mas atitudes infantis...nao me parece.
Contudo, vou e estou a dar o beneficio da duvida!
A reuniao acabou e eu fui mais uma vez para a biblioteca, onde tenho passado os meus dias. Teclar com os meus amigos enquanto vejo a chuva cair a minha frente, atraves de uma janelas enormes, e bastante nostalgico.
Ai esta a palavra certa, nostalgia. Foi talvez este sentimento que tomou conta de mim o resto do dia. Quando sai da biblioteca e fui para o quarto, fechei-me la e comecei a chorar. Estava parvinha, nao sei, mas nao me dava para outra coisa. Ainda pintei as unhas dos pes para me distrair, mas as lagrimas nao se cansavam de cair.
Quando os meus pais me ligaram a noite eu ainda estava chorosa e nem tentei disfarar, mas eles ficaram mais preocupados porque pensaram que ja era gripe. Tambem devo estar a chocar uma, mas aquilo era so falta de miminhos.
Depois do telefonema fui para a sala de estar. Estava tudo apagado e eu aqueci um copo de leite. Fui para a frente da televisao e fiquei a ver a MTV que, apesar de ser holandesa, tiveram a decencia de nao fazer dobragens e por apenas legendas.
Quando cai na cama, meia hora mais tarde, o sono chegou imediatamente.

Mariana Almeida

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